Influência da microbiota saudável na redução do risco de câncer

Influência da microbiota saudável na redução do risco de câncer

O câncer é uma das doenças mais prevalentes no mundo, sendo correlacionado com uma série de morbidades que influenciam na qualidade de vida da população. Este perfil alarmante justifica a busca, cada vez mais evidente, por estratégias para reduzir este risco 1.

Dentre as estratégias estudadas, a melhora da saúde intestinal tem ganhado destaque, uma vez que diversas reações imunológicas podem ser desencadeadas por alterações na nossa microbiota intestinal2.

Esta correlação foi recentemente abordada por um estudo conduzido com pacientes que apresentavam diagnóstico de câncer hepático, em que observou aumento na concentração de espécies de bactérias patogênicas nesta condição, em comparação ao grupo de indivíduos saudáveis. Desta forma, os autores sugerem o quadro de disbiose intestinal no desenvolvimento e progressão do câncer hepático, e propõem maior atenção à saúde intestinal para redução deste risco3.

Este perfil também já foi identificado em casos de câncer de tireoide. Em um estudo realizado com 74 indivíduos, observou-se aumento nas concentrações de bactérias patogênicas em casos de câncer diagnosticado e nódulos. De forma contrária, a presença de bactérias probióticas foi maior em pacientes saudáveis4.

De forma complementar, uma análise clínica conduzida com pacientes diagnosticados com câncer de colón mostrou que a administração de romã reduziu a concentração de lipopolissacarides (LPS) – um marcador que está relacionado com disbiose intestinal e inflamação gerada por esta condição. Este dado foi explicado pela presença de polifenóis da romã, que exercem importante efeito anti-inflamatório, melhorando a integridade do órgão5.

Além desta interessante intervenção, a saúde intestinal pode ser melhorada com o aumento no consumo de fibras e outros compostos bioativos encontrados em diversas frutas, verduras e legumes. Com uma alimentação equilibrada e saudável, reduzimos o risco de doenças, favorecendo a nossa longevidade.

Referências Bibliográficas:

1-VETIZOU, M.; DALLIERE, R.; ZITVOGEL, L. Gut microbiota and efficacy of câncer therapies. Biol Aujourdhui; 211(1):51-67, 2017.
2-KARL, J.P.; MARGOLIS, L.M.; MADSLIEN, E.H. et al. Changes in intestinal microbiota composition and metabolismo coincide with increased intestinal permeability in young adults under prolonger physiological stress. Am J Physiol Gastrointest Liver Physiol; 312(6):G559-G571, 2017.
3-ZHANG, L.; WU, Y.N.; CHEN, T. et al. Relationship between intestinal microbial dysbiosis and primary liver cancer. Hepatobiliary Pancreat Dis Int; 2019. doi: 10.1016/j.hbpd.2019.01.002
4-ZHANG, J.; ZHANG, F.; ZHAO, C. et al. Dysbiosis of the gut microbiome is associated with thyroid cancer and thyroid nodules and correlated with clinical index of thyroid function. Endocrine; 2018. doi: 10.1007/s12020-018-1831-x
5-GONZÁLEZ-SARRIAS, A.; NUÑEZ-SÁNCHEZ, M.A.; ÁVILA-GÁLVEZ, M.A. et al. Consumption of pomegranate decreases plasma lipopolysaccharide-binding protein levels, a marker of metabolic endotoxemia in patients with newly diagnosed colorectal cancer: a randomized controlled clinical trial. Food Funct; 9(5):2617-2622, 2018.
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Publicado originalmente no site www.vponline.com.br

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